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26 de Junho, 2019, 02:53:26

Autor Tópico: Kalindush Saga - Ou como eu fui me meter nesses negócios de Religião  (Lida 442 vezes)

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Kalindush Saga - Ou como eu fui me meter nesses negócios de Religião
: 20 de Maio, 2015, 03:29:47
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B"H

Oh, diabos. São 2 e meia da madruga, talvez mais e não consigo dormir. Amanhã acordo tarde, então posso aproveitar um pouco da luz da minha lamparina e escrever minhas memórias.



Primeiro, eu devia começar sobre o porquê estou escrevendo isto. Franck disse que eu devia fazer um post sobre isso e até escrever um livro. Ele não é o primeiro a dizer isto.

De fato, se é uma história interessante ou não, eu não posso dizer. É a minha história, então lógico que ela é interessante para mim. Se ela é para o leitor, deixo que o mundo julgue e que os moderadores encontrem o lugar apropriado do post. Lavo minhas mãos sobre encontrar o lugar apropriado.



Toda história tem um começo, evidentemente. Esta história não começa com religião e nem comigo. Na verdade, embora tudo tenha origem em Deus, ela também não começa n'Ele. Ela começa com a minha mãe.

Uma simpática menininha criada sob o período da ditadura militar cuja família não levantou uma palha para combatê-la. Sim, vocês sabem o resto dessa parte da história. Ela se tornou uma mulher reacionária (moderadamente) sem grandes ambições, posicionamentos políticos ou mesmo sagacidade emocional.

Claro, ela foi uma das primeiras a fazer mestrado e doutorado em nutrição no Brasil. Mas como alguns imaginam, o diploma da faculdade não é nada além de uma falsa promessa de estabilidade financeira no Brasil dada pelos governantes da ditadura para criar a falsa sensação de que o país está melhorando e que poder-se-ia até ficar rico. 

Aí ela conhece esse senhor, o Raimundo. Meu pai. Um cara feio de doer e passa a namorar com ele.



Resumo da ópera, eles transam, decidem fazer sem camisinha porque esqueceram de comprar e acham que não vão engravidar. Ela engravida, ele assume. Briga com ela de propósito uma semana antes do casamento marcado, ele fica com a melhor amiga dela.

Essa "amiga" também engravida. Ele manda a abortar, ela aborta e ele some mesmo assim. Mandou os amigos dizerem que tinha morrido e depois conheceu outra mulher. Hoje eu tenho dois lindos meio-irmãos, um menino e uma menina que nunca vão me conhecer porque ele não vai me assumir.

Mas esta história não é sobre eles.

Minha mãe vira uma mulher depressiva que se revolta contra o mundo. É neste contexto que eu nasço.

"Só existem duas pessoas com quem você pode contar neste mundo, César. Eu e a vovó. O resto do mundo está contra nós."
—Mãe, Minha

É claro que se você diz isso ao seu filho de quatro anos isso com frequência, ele cresce achando que é verdade... mas não da maneira que você espera. Crianças interpretam as coisas de maneira literal.

Especialmente quando elas se encontram num ambiente propício a dar a experimentação empírica e quando você tem uma mãe idiota o suficiente de te matricular numa escola de freiras que te odeiam porque você é filho de mãe solteira.

As freiras me odiavam e odiavam a minha mãe. Os professores também. As crianças também. Eu era "problemático" porque existia. Uma criança com essa idade não aprende a socializar com facilidade nessas circunstâncias. Levei muito tempo pra aprender a fazer amigos e me portar (mais de vinte anos).

Nesse contexto, eu tinha tudo para odiar a religião.

Mas aos seis anos, eu peguei uma Bíblia e comecei a ler. Naquele momento, eu soube que havia uma larga diferença entre a instituição religiosa e suas crenças. Eu era religioso desde esta idade. Terminei a Bíblia em menos de uma semana.

Claro, ler e interpretar são coisas distintas, mas eu já sabia ali o conteúdo geral da historinha toda. Duas pessoas peladas comendo um fruto traficado por uma serpente, colocados pra fora da piscina. Enchente mundial. Abraão, Isaac e Jacó. Moisés. Josué e os Juízes. Os Reis. Os Profetas. A invasão grega. A invasão romana. Jesus e seus discípulos. Por fim, Apocalipse.

O catecismo não me acrescentou nada que eu não soubesse. Longe de mim não ter aproveitado as aulas com a minha velha professora, que descanse em paz, mas o material era precário (já que a comunidade da região ajudava em nada). Esnobei as Igrejas grandes e icônicas: fiz a primeira comunhão numa capelinha bem pequena. Preferia assim.

Logo, minha mãe brigou com as pessoas da escola, que a detestavam. Só então ela me trocou de escola. Mas eu não tinha traquejo social, então causei "problemas", que diminuíram substancialmente porque eu não era errado apenas por existir - eu era errado por ser diferente e mais inteligente que os outros.

Desde então, minha mãe me tratava como se eu fosse uma criança problema, porque ela "nunca deu problema aos pais". Desde então, eu busquei o amor de minha mãe. Uma tentativa infrutífera, que só nos tornou conhecidos com certo respeito - nunca mais terei por ela o amor de um filho por uma mãe.

No colegial, as coisas voltaram a piorar. Busquei conforto lendo sobre várias religiões. Li o Alcorão em pdf, porque não tinha material mais acessível. Comprei a Torá Viva, do Rabino Aryeh Kaplan (boa pra quem busca terminologias e palavras, ruim para iniciantes). E é claro, ao perceber o ódio do mundo pela Igreja, acabei querendo ouvir o lado dela.

"Afinal, o mundo me odeia também, não é mesmo? É por culpa do mundo que a minha mãe não me ama mais."

Acabei sendo mais participativo na Igreja, os modernistas etc.. Todos muito acolhedores no grupo de jovens e adolescentes... mas eu não estava satisfeito.

Aí encontrei o site do Montfort e pirei.

http://www.montfort.org.br/old/index.php

Ganhei um conteúdo católico imenso. Eu era invencível. Padres, professores de teologia, protestantes... todos os inimigos da Igreja acabavam por ceder. Entrei na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o grupo mais tradicional da Igreja Católica e acabei me destacando lá de certa forma.

Eu tinha encontrado um lugar o qual eu podia enfrentar o mundo.



"Sigam-me, soldados de Cristo. Eu não quero perder nenhuma alma valiosa neste cerco! EIIIIMEEEEEEEEEEEEEEN!"

É claro que a partir deste ponto você já sabe que eu tinha depressão. Acrescente-se a isso uma leve tendência à psicose.

Mas como todas as coisas na minha vida, minha relação antes primorosa com os católicos se desgastou. Abandonei a faculdade de contabilidade e fui pra Santa Maria, fazer uma parada pra assistir uma palestra em La Reja. Durante a confissão, o padre disse que eu não deveria ter abandonado a faculdade.

Isso mesmo. A Confissão é um sacramento onde o padre fala sobre seus pecados. Mas não sobre sua vida particular. Ele não julga se suas opções pessoais são um erro. Logo, ele vir condenar minha atitude por ter abandonado a faculdade é como se ele, implicitamente, dissesse que é um pecado.

É lógico que eu o censurei e brigamos de maneira audível na Igreja. Voltei pra casa na manhã seguinte, com o padre insistindo para que eu ficasse.

Depois disso, comecei a ser segregado e só notei durante o Crisma. Dom Alfonso de Galarreta me protegeu do bullying durante a cerimônia inteira; mas eu notei o estrago e parei de ir na Igreja.

Foi quando um judeu me esfregou a cara no chão e fez a limpeza. Tudo com educação, claro. Mas ele tinha resposta pra tudo, e eu ainda tinha a ideia tomista na cabeça: "Se Deus é verdade absoluta e ele me provou que o Catolicismo não é verdade, então nada no Cristianismo é verdade."



Procurei respostas desde o começo. Li sobre Taoísmo, Feng Shui, Cultura Celta, Cultura Viking, Budismo, Confucionismo... mas sempre que eu lia sobre estes assuntos, eu encontrava algum tipo de divergência irreconciliável. Coisas pras quais o Catolicismo não tinha resposta, verdade, mas coisas que não me apeteciam.

Aí eu lembrava que o Judaísmo existia e ele me revelava justamente a própria opinião que eu tinha antes de consultá-lo.

Engana-se se você pensar que simpatizei com o Judaísmo por lembrar o Cristianismo. O Judaísmo não tem nenhuma semelhança com o Cristianismo, só no superficial. Deus não é o mesmo, as Escrituras não são as mesmas (desde a tradução até a interpretação) e por conseguinte, a postura em relação à vida não é a mesma.

Posso dizer com base que o Catolicismo não se abre a novas ideias. Ponto. Quem tenta introduzir novas ideias na Igreja é herege. Mesmo que haja política na Igreja para implantar novos conceitos, é preciso um jogo de tronos - mas se um Papa já se pronunciou sobre o assunto, dentro da doutrina religiosa, é muito simples: tal assunto é anátema e aqueles dispostos a fazerem concessões devem ser excomungados.

E a instituição conforme a Igreja funciona hoje é justamente um jogo de tronos - mesmo que seja o assunto anátema, as pessoas fazem concessões por puro interesse político. É por isso que ela perde poder religioso a cada dia. O financeiro aumenta devido ser a grande lavadora de dinheiro da Máfia Italiana. Posso falar sobre isso depois.

Acabei frequentando um centro de reunião da Soka Gakkai. Pra conhecer mesmo, pra formar vínculos... mas é muito família pro meu gosto.

Decidido a ser bnei noach, um não-judeu com apenas sete leis pra seguir e nada severo nas costas, aprendi com um professor online muito suspeito e um grupo de alienados. Logo me desfiz desse grupo e fiquei sozinho estudando por alguns anos, até encontrar uma sinagoga Chabad com cursos e aulas para não-judeus.

Estou há alguns anos lá desde então. Em resumo, religiosamente, essa é a história. Mas é apenas a história. Contar o raciocínio por trás da história é mais uma história em si, pra quando eu ficar velho e escrever uma autobiografia loka.
Não lembro como usa BBCode, mimsina

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Whoa, é um relato de fato impressionante Kalin, meio que confirma alguns de meus pensamentos perante à religião.

Esse novo papa aí tá tentando uma reaproximação com o povo, saiu falando "calma galere, tem inferno não" e coisas do tipo... mas é capas de mudar não mudando mesmo.

Eles estão perdendo força para as igrejas evangélicas (elas são perigoooosas) só quero ver como as coisas vão acontecer agora.... lol

Uma coisa que não ficou clara pra mim, então serei bem direto Kalin, você acredita em Deus?

Isso aqui é FOFO PRA CARALHO, puta que pariu, te amo mulher


Presente da Lilith


 Versinho da Jeny <3

  • Anael Limelight Feminino

  • "I'm one with the Force, and the Force is one with me!"
  • Semideus
  • Viúva do AT
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Eu li tudo no caminho da estação para o trabalho.

E por mais ingênuo e simplista,não consigo parar de associar sua história com C.S Lewis e o cristianismo.

Eu sou cristã evangélica, por razões de reconhecimento e gratidão, mas isso não vem ao caso.

Eu acredito que Deus se revela aos seus, e se isso faz sentido para você, meu amigo, seja feliz.

Eu compro seu livro o/

By the way, te achei no Facebook do Franck, posso adicionar você?


Kasdrael, minha Nana
Anjinha da Guarda e Sakura do Ruddy ^^~

  • Jeny Feminino

  • Agora entendo que o mundo continuaria a girar. Comigo ou sem mim.
  • Moderadora
  • Deus
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Bom, o Franck tomou a pergunta dos meus dedos.
Li toda sua história, mais enfim, vc fala de religiões, busca respostas no centros das religiões, mas não fala se crer em Deus.

Amigo Secreto





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Bom, o Franck tomou a pergunta dos meus dedos.
Li toda sua história, mais enfim, vc fala de religiões, busca respostas no centros das religiões, mas não fala se crer em Deus.

Há, fui mais rápido! 

Minha pergunta é mais para efeito de curiosidade, pois o fato de ter uma religião não implica necessariamente em crer em um ou mais deuses (O budismo, por exemplo, é uma religião "ateísta" acho que o Sonic-sama pode falar com mais propriedade, ajuda aí filho!)

"Buscar respostas" é a força motriz de muitas religiões, é o que faz as pessoas crerem(sic) em alguma coisa, ou alguém.

Isso aqui é FOFO PRA CARALHO, puta que pariu, te amo mulher


Presente da Lilith


 Versinho da Jeny <3

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E por mais ingênuo e simplista,não consigo parar de associar sua história com C.S Lewis e o cristianismo.


Já me compararam com ele e Tolkien. Mas se eu fosse escolher um cristão que representa essa minha história, eu escolheria http://pt.wikipedia.org/wiki/G._K._Chesterton, a despeito dele ter se tornado, posteriormente, um antissemita (uma vez que lhe faltava a literatura adequada para perceber o quão estranhamente suas ideias "católicas" soavam judaicas).

Por que Chesterton? Por várias razões, mas especialmente por ele ser o Príncipe do Paradoxo.

Pra Chesterton, o paradoxo é algo que desafia a lógica, quase um erro de lógica que existe inerentemente no universo. Para você ser corajoso, você precisa encarar o medo de morrer e arriscar sua vida. Para ter esperança, você precisa acreditar que algo bom irá ocorrer mesmo que tudo esteja perdido. Então coragem e esperança são paradoxos e para Chesterton, Deus é o sumo paradoxo.

Penso de maneira similar.


By the way, te achei no Facebook do Franck, posso adicionar você?


Mas é claro que sim. Fique à vontade.

Esse novo papa aí tá tentando uma reaproximação com o povo, saiu falando "calma galere, tem inferno não" e coisas do tipo... mas é capas de mudar não mudando mesmo.

Não confie no Papa Francisco.

Uma coisa que não ficou clara pra mim, então serei bem direto Kalin, você acredita em Deus?

Bom, o Franck tomou a pergunta dos meus dedos.
Li toda sua história, mais enfim, vc fala de religiões, busca respostas no centros das religiões, mas não fala se crer em Deus.

Hah, vocês notaram! Mas acho que a pergunta não seria se eu acredito em Deus, mas "porquê diabos Kalindush Ironstar da Silva não diz se acredita em Deus?".

Porque quando eu escrevo, eu demoro a escrever, mas geralmente penso em todas as palavras.

Lá vão as razões.

Primeiramente, se você sai falando "OH DEUS MARAVILHOSO ONIPOTENTE TIVE UM CONTATO COM ELE GLÓRIA ALELUIA" você afasta as pessoas porque soa psicótico ou esquizofrênico. Eu mesmo levantaria uma sobrancelha a ver as pessoas falando dessa maneira ou agindo desse modo. Este tipo de comportamento seria muito místico para mim.

Em segundo lugar, de que Deus estamos falando? Se for um cara de sandálias e barba sentado num trono de glória cercado por deuses anjos e que dispara raios nos infiéis e aparece nos menes da ATEA sempre perdendo debates pro Zequinha do Castelo Rá-Tim-Bum... bom, não acredito nesse Deus.

Geralmente, descrevem Deus como uma Força Sobrenatural Muito Grande E Maior Que Todos Nós. É uma concepção errônea e vou usar um exemplo.

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante, havia um usuário da Força fantástico que impressionava a todos com sua erudição, calma, paciência, qualidades e virtudes. Ele acabou por reunir inúmeros seguidores e isso o aborreceu profundamente, pois eles eram apenas um bando de puxa-sacos paga-paus tentando imitá-lo.

Um dia, ele pronunciou: "Parem de me idolatrar e se tornem usuários da Força por si mesmos, com suas próprias forças!". E sumiu.

Os seguidores não eram apenas alimentados espiritualmente por sua ligação com ele, mas eles também eram limitados por conta desta mesma ligação; ela impedia o seu desenvolvimento pessoal. Suas forças eram como velas tremeluzentes oprimidas por uma fogueira ardente; sua luz era insignificante na comparação inevitável e eles resolveram ignorar de sua própria capacidade.

Alguns membros do grupo de se tornar inspirado pela perspectiva de um, cumprindo de forma criativa estilo de vida independente, sem a figura imponente do guru em seu centro. Eles se tornaram Jedis e Siths.

Da mesma maneira é com Deus. Se o homem tem a percepção errada de que Deus é um cara, que está distante, que tem um corpo e que olha o mundo todo de seu trono como se fosse Kami-sama olhando da sala do Templo em Dragon Ball... é lógico que o homem vai confrontar esse Deus. O homem se sente sufocado diante deste "Sobrenatural Superior" e acredita que tudo dependerá dele, logo ele para de fazer qualquer coisa e espera que este outro ser atenda a todas as suas necessidades através de palavras mágicas e de pura fé - ou então se rebela contra este tentando buscar conquistar as coisas por mérito das próprias mãos, como o ateu.

E é com este Deus que o ateu, evidentemente, luta contra todas as forças. Que ser humano poderia permitir que um outro ser o controle? Então, até mesmo o ateu tem uma conexão muito especial com Deus, pois ele derruba os ídolos (as ideias preconcebidas de que as pessoas tem do que poderia ser esse Divino), mesmo que ele não acredite em nenhuma espécie de divindade.

Nietzsche conta-nos que os deuses morreram a rir quando um deus afirmou que era o único, dizendo estas palavras: não haverá outro deus para além de mim. Os deuses, em Nietzsche, são o próprio homem. A pergunta instigante do filósofo: Como poderia haver outro deus além de si mesmo?

O Rabino Isaac Kook chama este fenômeno de "Divina Inveja": a inabilidade do homem de aceitar uma entidade extra-corpórea ao qual fora de si própria é irrelevante. Esta inabilidade leva ao instinto de descrer em Deus.

Então Deus não pode ser outro além de algo que nós somos? Espinoza aborda esta possibilidade. Ele diz que Deus é a Natureza. Em outras palavras, toda a matéria seria Deus. As árvores, os campos, as pedras, eu e você. Esta é a abordagem Panteísta, diametricamente oposta a anterior que é Gnóstica e Misticista.

Superficialmente, esta abordagem de Espinoza não parece problemática. Faz soar Espinoza profundamente religioso ao santificar tudo o que antes era considerado profano! Na realidade, porém, se tudo é sagrado, nada é. Quando Deus não é a uma extensão distante da realidade mundana, onde não há escada ontológica para o homem a subir, não há desafio espiritual e não pode haver crescimento espiritual. Se a hierarquia espiritual é excluída, a religião é nula e a ideia de Deus inútil. Também não posso aceitar tal conceito de Deus.

Entre racionalistas do calibre de Espinoza e misticistas como Eckhart, então em quê Kalindush Ironstar da Silva crê? Ele crê em Deus?

Para mim, Deus não pode ser um Divino Outro. Tal noção repugna o homem: ter alguém que o controle. Então Deus não pode ser um cara. Deus também não pode ser só matéria, uma vez que nega o espírito, o efêmero e até mesmo a mera abstração artificial. Seria uma divindade que não encompassa cada aspecto da realidade.

Quando percebemos a relação entre Deus e o Homem, então percebemos que Deus é transcendente e imanente. Imanente porque está em todas as coisas, como diria Espinoza, mas Transcendente, porque está além delas.

Pense no ser humano como uma folha numa grande árvore, no mundo material como uma gota num infinito oceano, em todos nós como raios de Sol refletindo na superfície de um planeta - e ainda assim, com origem na luminosidade maior da coroa solar.

Deus não é um cara. Ele não manda na gente. Está em nós e em tudo o que fazemos, pensamos, criamos e sentimos. Quando lemos em Isaías:

"Eu sou o primeiro e o último, e além de Mim não há outro Deus" (Isaías 44:6)

Ele não está dizendo "ABANDONE SUA RELIJIAUM E CONVERTASSEE IRMAUM", mas está dizendo que tudo é Um. Não há outro Deus além daquilo que é a nossa Essência, nossa origem, que nada deseja e nada precisa.

Não se trata de uma pessoa, ou de alguém que se zanga, se arrepende ou fica triste. Quando Escrituras falam dos "dedos de Deus", ou que Ele Se "arrepende", ou que Ele está "zangado", isto não é literal. Se as Escrituras fossem escritas apenas em termos que os eruditos e instruídos pudessem entender, apenas uma elite conseguiria entender alguma coisa do que está escrito.

Pelo contrário, a força com que se interage essa "árvore" com "suas folhas" é dada de maneira antropocêntrica, porque assim podemos entender a analogia e fazer associações em cima disso.

Este versículo também diz que você não precisa temer então maldições feitas em nome de outros deuses (como era a prática e costume no Oriente Médio pedir ajuda aos sacerdotes para amaldiçoar os inimigos com poder divino), porque você é um reflexo do próprio Deus, Essência e Criador de Tudo. Você é Deus. Você não precisa temer as estrelas, os sortilégios, o olho gordo, o feitiço e nem mesmo os deuses, porque você carrega em si uma faísca do Eterno, primeiro e último, superior a qualquer adversidade, presente em todas as coisas. Você não precisa temer aquilo que foi criado porque você é parte da própria Criação e do próprio Criador.

Então, se há um Deus, é nesse tipo de Deus que acredito.




« Última modificação: 20 de Maio, 2015, 11:56:22 por Kalindush »
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A Igreja Católica condenou os seus seguidores ao fracasso pela condição de culpa e por não aceitar nenhum tipo de favorecimento material aos seus seguidores.

A ética protestante também contribuiu muito para esse decaimento da lógica católica de ver o mundo, assim como os descobrimentos e o antropocentrismo.

O inimigo do Super-Homem Não se Chama Lex Luthor por acaso. Lex Luthor é a Lei Luterana ou seja a personificação de tudo ruim que existe na lógica deturpada de que o aumento de acumulação serviria como justificativa social desde que para fins maiores e por meios socialmente aceites.



Este post é patrocinado pela Balbúrdia Corporation.


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A Igreja Católica condenou os seus seguidores ao fracasso pela condição de culpa e por não aceitar nenhum tipo de favorecimento material aos seus seguidores.

É pior. Ela aceitava o favorecimento material aos seus seguidores... desde que eles pagassem uma taxa e pertencessem à aristocracia. A Igreja via na burguesia uma ameaça.

Imagine que absurdo pra época: um plebeu ficando rico! E no entanto, isso podia até acontecer na Idade Média - alguns líderes de guilda podiam comprar títulos da nobreza. O que eles não esperavam é que a pessoa procurasse o lucro através do empréstimo.

A Igreja Católica era o grande banco central. Ela concedia o dinheiro aos nobres que precisassem, em troca de favores. Os banqueiros acabaram com a festa, fazendo empréstimos por juros menores e mais favoráveis e acumulando riquezas.

Ironicamente, a Igreja Católica acabou apadrinhando indiretamente a burguesia. Ao fazer com que os judeus não pudessem trabalhar em nada, então eles faziam o único trabalho que as pessoas consideravam pior do que das prostitutas: o trabalho daquele que empresta dinheiro.

É por isso que o judeu é associado ao dinheiro e visto com tanto ódio - uma visão medieval e antissemita.

A ética protestante também contribuiu muito para esse decaimento da lógica católica de ver o mundo, assim como os descobrimentos e o antropocentrismo.

Os protestantes eram ainda piores. Eles não condenavam o lucro, mas se aliaram a burguesia. E eram antissemitas.

Então este era o papel das inquisições protestantes: caçar judeus burgueses, confiscar suas riquezas para a Igreja Protestante, para a Burguesia e para a Coroa.

Para se ter uma ideia, os anglicanos, por exemplo, eram tão violentos que os cátaros não punham sequer os pés na Inglaterra, tamanha a brutalidade inglesa. Eles preferiam viver na França e em terras católicas, onde eles eram perseguidos, torturados e executados... mas não tinham metade da truculência britânica!

Se o protestantismo serviu de algo de útil foi dissipar a hegemonia católica e iniciar a ideia de separação da Igreja e do Estado. Só. A culpa do ser humano realmente foi tirada, mas a que preço?

"Crê firmemente e peca muitas vezes, pois o perdão e eleição de Deus é irrevogável, portanto, crer firmemente no Senhor Jesus e podes pecar a vontade, pois uma vez salvo, salvo para sempre...”
—Tischreden, Lutero (1569)

A intenção de Lutero provavelmente era tentar destituir o homem da Culpa Original por ser pecador. Na prática, ele destituiu o homem de sentir culpa por qualquer razão, inclusive puramente moral (a qual não é preciso religião para ter).

A influência de tais esquizofrenias se encontram em Olavo de Carvalho, um cara que nem no meu período mais católico eu tinha estômago pra engolir:

Num tempo em que a França era o país mais cristão da Europa, Luís XIV tinha nada menos de 28 amantes, mas sua rotina de trabalho era mais pesada que a de qualquer executivo de multinacional (...)

Já na Idade Média, os encargos da defesa territorial incumbiam inteiramente à classe aristocrática: ninguém podia obrigar um camponês ou comerciante a ir para a guerra, mas o nobre que fugisse aos seus deveres bélicos seria instantaneamente executado pelos seus pares. (...)

Noblesse oblige: a classe aristocrática era liberada de parte dos rigores morais cristãos na mesma medida em que pagava pela sua liberdade com a permanente oferta da própria vida em sacrifício pelo bem de todos.

A democratização da permissividade espalha os direitos da aristocracia por uma multidão de recém-chegados que de repente se vêem liberados da pressão religiosa sem ter de assumir por isso nenhum encargo extra, por mínimo que seja, capaz de restaurar o equilíbrio entre direitos e deveres. (...)

A liberação de massas imensas de população para o desfrute de prazeres e requintes gratuitos é uma das situações psicológicas mais ameaçadoras já vividas pela humanidade desde o tempo das cavernas. (SIC! SIC! SIC! SIC! SIC! SIC! SIC! SIC! SIC! SIC!)
—Olavo de Carvalho

Ou seja, em Olavo e em Lutero, pecado é coisa de pobre. O Kaiser pode pecar, ele tá salvo pela graça de Deus porque ele, coitado, se sacrifica pra lutar na guerra. Ele pode ter 81 mulheres.

Você é engraxate, você não pode trair sua esposa. Mas a GRAÇA DE DEUS TE SALVA, FIQUE À VONTADE IRMÃO.

Percebe a semelhança?

Claro, o protestantismo foi se aprimorando com o tempo. Essa talvez é a grande diferença deles com a Igreja Católica. O vinho velho de marca ruim fica menos pior. Já a instituição papal, na tentativa de valer para todos os tempos e ter respostas certas pra tudo, fica inflexível, solidificada no tempo.

O inimigo do Super-Homem Não se Chama Lex Luthor por acaso. Lex Luthor é a Lei Luterana ou seja a personificação de tudo ruim que existe na lógica deturpada de que o aumento de acumulação serviria como justificativa social desde que para fins maiores e por meios socialmente aceites.

Os criadores de Lex Luthor (e do Superman) eram Jerry Siegel e Joe Shuster. Dois judeus.

Acho difícil dois judeus pensarem de tal forma. Mas algum Zizek da vida deve ter feito a analogia.

Estes filósofos marxistas não tentam encaixar a intenção do autor com a obra, mas como a obra efetivamente reproduz a ideologia vigente (como a explicação de Zizek com o Coringa, Batman e Bane).
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Bem, o resultado das suas desventuras no final foi um arcabouço de cultura surpreendente. Consegue transformar pequenas colocações em textos incrivelmente esclarecedores.

Seus posts são puro ouro. É a melhor contribuição ao debate religioso desde que eu me lembro. XD
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Bem, o resultado das suas desventuras no final foi um arcabouço de cultura surpreendente. Consegue transformar pequenas colocações em textos incrivelmente esclarecedores.

Seus posts são puro ouro. É a melhor contribuição ao debate religioso desde que eu me lembro. XD

Hoje é o dia em que as pessoas resolveram me deixar sem graça.

Meu melhor amigo e meu professor de hebraico se uniram para poder ficar me elogiando até eu ficar vermelho até um pimentão: um falando que eu devia fazer faculdade de teologia ou ciência da religião, o outro dizendo que tenho uma alma judaica e que eu devia me converter pra ir numa yeshivá rabínica o mais rápido possível.

Assim eu fico sem jeito, não pode
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Da mesma maneira é com Deus. Se o homem tem a percepção errada de que Deus é um cara, que está distante, que tem um corpo e que olha o mundo todo de seu trono como se fosse Kami-sama olhando da sala do Templo em Dragon Ball... é lógico que o homem vai confrontar esse Deus. O homem se sente sufocado diante deste "Sobrenatural Superior" e acredita que tudo dependerá dele, logo ele para de fazer qualquer coisa e espera que este outro ser atenda a todas as suas necessidades através de palavras mágicas e de pura fé - ou então se rebela contra este tentando buscar conquistar as coisas por mérito das próprias mãos, como o ateu.

O cristianismo trabalha com essa concepção de deus. Se esse modelo proposto por ti fosse verdade, nossa sociedade estaria repleta de religosos que não fazem nada e de ateus revoltados que fazem o mundo se mover. Querer agrupar a totalidade de ambos os grupos nessas definições não possui suporte baseado no que se observa em nosso meio.
Se aqui isso já não funciona bem como modelo de ateísmo vs religiosidades, como se aplicaria em culturas politeístas? E em sociedades majoritariamente ateias, onde os filhos de ateus não precisam negar e se desprender da crença de nenhuma divindade, pois nunca tiveram uma?

Além disso, o uso da expressão "se rebela" me parece inadequado. Eu não acredito em papai noel. Tu terias coragem de me olhar nos olhos e afirmar que eu "me rebelei contra um ser superior, imortal, capaz de carregar bilhões de presentes com suas força física descomunal e de entregá-los em velocidades espantosas, que conhece os desejos mais profundos de cada pessoa, sabe tudo o que elas fizeram ao longo do ano e que faz o julgamento final para decidir se merecemos um presente ou um pedação de carvão?

O conceito de papai noel é sufocantemente superior ao conceito de ser humano, mas eu não preciso me rebelar para abandonar a ideia pouco plausível de sua existência.

Acredito que seja seguro afirmar que a maioria dos religiosos não se sintam sufocados diante do conceito de deus que tu apresentou e que a maioria dos ateus não tenham nenhuma rebeldia em relação a divindades.

E é com este Deus que o ateu, evidentemente, luta contra todas as forças. Que ser humano poderia permitir que um outro ser o controle? Então, até mesmo o ateu tem uma conexão muito especial com Deus, pois ele derruba os ídolos (as ideias preconcebidas de que as pessoas tem do que poderia ser esse Divino), mesmo que ele não acredite em nenhuma espécie de divindade.

É complicado fazer afirmações generalizadas sobre "o ateu", visto que ateísmo é uma posição filosófica pela qual se pode chegar por meio de diversas vias - incluindo religiões ateias, como o budismo. A postura de combate a deuses é característica do movimento neo-ateu (Dawkins, Harris, Hitchens...), não do ateísmo como um todo, e não necessariamente se repete em outros meios notadamente descrentes. Humanistas seculares, por exemplo, tendem a valorizar a religião como parte da identidade cultural de um povo, e não "lutar" contra esses deuses.
 
O nível de coesão das crenças de diferentes ateus é pequena. Há ateus que acreditam em espíritos, ateus que acreditam em karma, ateus que dedicam suas vidas a combater a religão e ateus que simplesmente riem da crença no divino. Dessa forma, ao se referir ao grupo "ateus" de forma homogênea e afirmar que esse grupo todo luta contra o "Deus" descrito por ti, faz-se uma generalização bem indevida.

Outro ponto problemático é a questão da "conexão muito especial com Deus" - ou Divino, ou qualquer crença supernatural a que se refira. Só é possível afirmar que ateus possuem essa conexão se você partir do pressuposto de que existe um Deus. Uma vez que seja abandonada a certeza a priori da existência de um deus qualquer, não vejo como essa linha argumentativa possa se sustentar. Um ateu que argumenta contra a existência de deuses não tem um ligamento especial com deus nenhum, assim como cético que argumenta contra a existência de ovnis não tem uma ligação especial com ETs. Apesar disso, um ufólogo que acredite em tais entidades pode facilmente afirmar que o cético em questão tem uma boa ligação com esses seres, uma vez que faz um ótimo papel em diferenciar as verdadeiras naves espaciais dos falsos balões metereológicos. Tal argumentação, entretanto, só faz sentido para o ufólogo e para as pessoas que acreditam em ETs.

Em suma: esse modelo que tu propôs talvez sirva para explicar alguns casos restritos de como uma pessoa religiosa pode se tornar ateia, mas está longe de ser uma explicação universal sobre religião e ateísmo. A afirmação de que ateus têm ligação com Deus, por sua vez, só poderá ser válida no momento em que for provada a existência de algum deus.
« Última modificação: 21 de Maio, 2015, 01:13:16 por Battou »

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O cristianismo trabalha com essa concepção de deus. Se esse modelo proposto por ti fosse verdade, nossa sociedade estaria repleta de religosos que não fazem nada e de ateus revoltados que fazem o mundo se mover. Querer agrupar a totalidade de ambos os grupos nessas definições não possui suporte baseado no que se observa em nosso meio.

Não generalizei. Quem disse isto foi você.

Apenas identifiquei aquilo em que encontrei tendências. É a minha leitura pessoal.

Se aqui isso já não funciona bem como modelo de ateísmo vs religiosidades, como se aplicaria em culturas politeístas? E em sociedades majoritariamente ateias, onde os filhos de ateus não precisam negar e se desprender da crença de nenhuma divindade, pois nunca tiveram uma?

Eu recomendaria você me ler desde o começo. Eu estou encontrando terríveis percepções aqui do que foi lido. Eu não estou lidando com absolutos; você está os encontrando onde eles nunca estiveram.

É particularmente simples. Vamos falar então de culturas politeístas:

Qual é a diferença entre se rebelar contra a IDEIA CONCEITUAL de um Deus com a IDEIA CONCEITUAL de Deuses?

Poderíamos diferenciar ambas as ideias conceituais e ambos chegaríamos à mesma conclusão. É preciso se opor.

Além disso, o uso da expressão "se rebela" me parece inadequado. Eu não acredito em papai noel. Tu terias coragem de me olhar nos olhos e afirmar que eu "me rebelei contra um ser superior, imortal, capaz de carregar bilhões de presentes com suas força física descomunal e de entregá-los em velocidades espantosas, que conhece os desejos mais profundos de cada pessoa, sabe tudo o que elas fizeram ao longo do ano e que faz o julgamento final para decidir se merecemos um presente ou um pedação de carvão?

Não só teria coragem como eu daria a você uma arma para enfrentá-lo ele juntos.

Por favor. Quando eu digo que você se rebelou, não é a um SER, se rebelar diante de um conceito.

Você está me interpretando de maneira equivocada.

Acredito que seja seguro afirmar que a maioria dos religiosos não se sintam sufocados diante do conceito de deus que tu apresentou e que a maioria dos ateus não tenham nenhuma rebeldia em relação a divindades.

Tamanha a indiferença dos ateus que precisam escrever livros para demonstrar que sua ideia de que divindades não existem necessariamente é perfeitamente plausível.

Você está interpretando errado, repito, de novo, a ideia de rebeldia.

Você pressupõe que a ideia de rebeldia se dê a um ser existente. Um cara que é todo poderoso e que eu teria dito que ateus preparam guerra contra ele, como se ele fosse um dos titãs de Shingeki no Kyojin.

Eu não disse isso, em absoluto.

Como todo o resto da sua missiva se dá contra algo que eu não disse, eu vou esperar você ler com calma e tirar suas dúvidas com o que eu disse, caso tenha algo ficado obscuro ou de difícil interpretação.

Caso contrário, se você insistir que a minha ideia é esta que você está afirmando veementemente, eu me recuso a debates com espantalhos. Leia-me nas melhores das intenções ou não me leia.

Update:
O cristianismo trabalha com essa concepção de deus. Se esse modelo proposto por ti fosse verdade, nossa sociedade estaria repleta de religosos que não fazem nada e de ateus revoltados que fazem o mundo se mover. Querer agrupar a totalidade de ambos os grupos nessas definições não possui suporte baseado no que se observa em nosso meio.

Não generalizei. Quem disse isto foi você.

Apenas identifiquei aquilo em que encontrei tendências. É a minha leitura pessoal.

Se aqui isso já não funciona bem como modelo de ateísmo vs religiosidades, como se aplicaria em culturas politeístas? E em sociedades majoritariamente ateias, onde os filhos de ateus não precisam negar e se desprender da crença de nenhuma divindade, pois nunca tiveram uma?

Eu recomendaria você me ler desde o começo. Eu estou encontrando terríveis percepções aqui do que foi lido. Eu não estou lidando com absolutos; você está os encontrando onde eles nunca estiveram.

É particularmente simples. Vamos falar então de culturas politeístas:

Qual é a diferença entre se rebelar contra a IDEIA CONCEITUAL de um Deus com a IDEIA CONCEITUAL de Deuses?

Poderíamos diferenciar ambas as ideias conceituais e ambos chegaríamos à mesma conclusão. É preciso se opor.

Além disso, o uso da expressão "se rebela" me parece inadequado. Eu não acredito em papai noel. Tu terias coragem de me olhar nos olhos e afirmar que eu "me rebelei contra um ser superior, imortal, capaz de carregar bilhões de presentes com suas força física descomunal e de entregá-los em velocidades espantosas, que conhece os desejos mais profundos de cada pessoa, sabe tudo o que elas fizeram ao longo do ano e que faz o julgamento final para decidir se merecemos um presente ou um pedação de carvão?

Não só teria coragem como eu daria a você uma arma para enfrentá-lo ele juntos.

Por favor. Quando eu digo que você se rebelou, não é a um SER, se rebelar diante de um conceito.

Você está me interpretando de maneira equivocada.

Acredito que seja seguro afirmar que a maioria dos religiosos não se sintam sufocados diante do conceito de deus que tu apresentou e que a maioria dos ateus não tenham nenhuma rebeldia em relação a divindades.

Tamanha a indiferença dos ateus que precisam escrever livros para demonstrar que sua ideia de que divindades não existem necessariamente é perfeitamente plausível.

Você está interpretando errado, repito, de novo, a ideia de rebeldia.

Você pressupõe que a ideia de rebeldia se dê a um ser existente. Um cara que é todo poderoso e que eu teria dito que ateus preparam guerra contra ele, como se ele fosse um dos titãs de Shingeki no Kyojin.

Eu não disse isso, em absoluto.

Como todo o resto da sua missiva se dá contra algo que eu não disse, eu vou esperar você ler com calma e tirar suas dúvidas com o que eu disse, caso tenha algo ficado obscuro ou de difícil interpretação.

Caso contrário, se você insistir que a minha ideia é esta que você está afirmando veementemente, eu me recuso a debates com espantalhos. Leia-me nas melhores das intenções ou não me leia.

Spoiler
« Última modificação: 21 de Maio, 2015, 02:08:21 por Kalindush »
Não lembro como usa BBCode, mimsina

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 com esses dois fica difícil eu elaborar novos argumentos, só consigo concordar com a imensa maioria do que o kalin respondeu 

O cristianismo trabalha com essa concepção de deus. Se esse modelo proposto por ti fosse verdade, nossa sociedade estaria repleta de religosos que não fazem nada e de ateus revoltados que fazem o mundo se mover. Querer agrupar a totalidade de ambos os grupos nessas definições não possui suporte baseado no que se observa em nosso meio.
Se aqui isso já não funciona bem como modelo de ateísmo vs religiosidades, como se aplicaria em culturas politeístas? E em sociedades majoritariamente ateias, onde os filhos de ateus não precisam negar e se desprender da crença de nenhuma divindade, pois nunca tiveram uma?

Além disso, o uso da expressão "se rebela" me parece inadequado. Eu não acredito em papai noel. Tu terias coragem de me olhar nos olhos e afirmar que eu "me rebelei contra um ser superior, imortal, capaz de carregar bilhões de presentes com suas força física descomunal e de entregá-los em velocidades espantosas, que conhece os desejos mais profundos de cada pessoa, sabe tudo o que elas fizeram ao longo do ano e que faz o julgamento final para decidir se merecemos um presente ou um pedação de carvão?


bem, essa de "verdade" na área da religiosidade, ou miticismo, ou agnotiscismo não existe; pelo menos eu não creio nela, o que eu vejo são percepções, constatações; e entendi que a descrita no texto é apenas a percepção individual do kalin, de acordo com a semi-biografia dele.

sobre a parte da rebeldia, achei que está bem colocada sim; não interpretei como um ateu que se rebela contra um deus (ou vários deuses, mas eu acho mais justo ir no 1x1 XD); a ideia é se rebelar (ter opinião contrária) à uma maioria; pelo que eu saiba, nos anos 90, 90% dos Brasileiros se diziam Católicos, atualmente são cerca de 50% católicos, e 20% evangélicos (fora outras religiões cristãs, como o espiritismo), a rebeldia seria apenas a influencia negativa à algo predominante; ou se rebela, ou se aceita (influencia positiva)

já numa sociedade primariamente ateista, aquele que se rebelaria seria exatamente o religioso, seja ele politeista, ou monoteista.

co caso do noel, você não se rebelou contra um ser superior, imortal, você se rebelou contra uma lenda; se revelou contra a propagação dessa lenda aos filhos/netos etc
« Última modificação: 24 de Maio, 2015, 20:50:01 por Vince_Valen »

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Já dizia o velho da montanha, nada é verdadeiro, tudo é permitido
conquistas
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